Nicolas Gabriel, 6 anos, não chegou nem a sair do hospital. Morte em 27 de agosto marca nova tragédia de suposta negligência médica na cidade fumegante da RMBH.
Santa Luzia, cidade que se destaca no ranking estadual em violência e criminalidade, registra mais uma história de suposta negligência médica. Nicolas Gabriel Brito Figueiredo, de apenas 6 anos, morreu na tarde de 27 de agosto após receber alta da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Hospital Municipal Madalena Parrillo Calixto. O menino completaria 7 anos em 1º de setembro – apenas 5 dias depois.
“Aí mãe!” – O grito que marcou a tragédia
Segundo relato da avó da criança, Nicolas nem chegou a sair do hospital apesar de ter recebido alta médica. Logo após a liberação, ainda dentro da unidade, o menino gritou “Aí mãe!” e começou a se debater desesperadamente.
Imediatamente retornando para a sala de urgência, foi detectada parada cardíaca. A cena desesperadora aconteceu diante dos olhos da mãe, de 25 anos, que havia levado o filho ao hospital na manhã daquela quarta-feira.

Santa Luzia fumegante e suas tragédias
A atual administração pública de Santa Luzia precisa se explicar por tanta imperícia e possível negligência nos atendimentos médicos da UPA. A cidade, cercada por presídios e Associação de Presos Condenados (Apac), possui um sistema de segurança atuante e ostensivo, mas falha gravemente na área da saúde.
Esta suposta negligência médica marca mais uma história trágica em Santa Luzia, alimentando a revolta da população que já convive com altos índices de violência e criminalidade.
O atendimento que virou pesadelo
A mãe havia levado Nicolas à UPA após ele apresentar febre, vômitos e dor de garganta desde a noite de 26 de agosto. A criança reclamava estar “muito fraca” quando chegou ao hospital na manhã seguinte.
Durante a triagem, Nicolas vomitou novamente e foi atendido rapidamente por um médico de 38 anos. O profissional prescreveu benzetacil, dipirona e soro, mas segundo relatos, houve “uma complicação” durante a aplicação do soro.
Mesmo assim, após duas horas em observação, a criança recebeu alta às 11h48 com diagnóstico de “virose”. O que aconteceu nos minutos seguintes transformou um atendimento médico em tragédia familiar.
Versão médica sob suspeita
O médico responsável, conduzido pela Polícia Militar para prestar esclarecimentos, alegou ter encontrado placas na laringe e glicose em 67 na criança. Após administrar os medicamentos, uma reavaliação teria mostrado glicose em 147, saturação em 99% e frequência cardíaca de 138.
Segundo o profissional, Nicolas apresentava “bom estado geral” quando recebeu alta. Apenas 10 minutos depois, a criança retornava em convulsão para não mais sair viva.
45 minutos de luta pela vida
Uma enfermeira relatou que Nicolas deu entrada às 12h15 sem pulso, com apneia e irresponsivo. A equipe médica lutou 45 minutos desesperadamente para salvar a vida da criança.
Foram realizadas:
- Entubação de emergência
- 15 tentativas com desfibrilador
- Infusão de bicarbonato de sódio
- Manobras de ressuscitação contínuas
Apesar de todos os esforços, a morte foi constatada após exames. Familiares revoltados tentaram agredir funcionários da unidade de saúde.
Enterro no dia que seria festa
O corpo de Nicolas Gabriel foi enterrado em 29 de agosto no Cemitério do Carmo, em Santa Luzia. A data que deveria ser de preparativos para o aniversário de 7 anos virou despedida definitiva.
O menino estudava na Escola Municipal Professora Ceçota Diniz e deixa uma família destroçada por uma morte que poderia ter sido evitada.
Investigações em curso
A Polícia Civil abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte. Familiares e profissionais de saúde serão ouvidos para esclarecer o que realmente aconteceu naquela manhã trágica.
A Prefeitura de Santa Luzia limitou-se a lamentar a morte em nota nas redes sociais, alegando que “até o momento, não foram identificados indícios de negligência ou imperícia”. Uma resposta que soa vazia diante do desespero de uma família.
Santa Luzia precisa de respostas
Em uma cidade já marcada pela violência, a população não pode aceitar que a negligência médica some-se aos problemas crônicos. A atual administração pública precisa explicações urgentes sobre os protocolos de atendimento da UPA.
Nicolas Gabriel Brito Figueiredo tinha apenas 6 anos e não deveria ter morrido. Sua morte grita por justiça em uma Santa Luzia que precisa urgentemente cuidar melhor de seus cidadãos.
Solidariedade da Luz Metropolitana
O Jornal Luz Metropolitana lamenta profundamente a morte de Nicolas Gabriel Brito Figueiredo e manifesta suas mais sinceras condolências à família enlutada. Desejamos força e conforto à mãe, à avó e a todos os familiares neste momento de dor imensurável.
Que a memória do pequeno Nicolas permaneça viva nos corações de quem o amou, e que a busca por justiça e respostas traga alguma paz à família que perdeu seu menino de forma tão prematura e trágica.

