Vereador denuncia descarte irregular de lixo e cobra providências dos órgãos competentes
O vereador Eloi Rodrigues Mendes formalizou denúncia no Ministério Público contra irregularidades no descarte de resíduos sólidos em Funilândia. Segundo o parlamentar, que tem exercido ativamente sua função fiscalizadora, o lixo coletado na cidade está sendo descartado de forma inadequada em um terreno local, configurando crime ambiental.
Situação crítica no descarte
A cidade de Funilândia não possui aterro sanitário próprio, o que obriga o transporte dos resíduos para destinos licenciados. Normalmente, o lixo percorre mais de 200 quilômetros até Santa Luzia, onde é destinado corretamente, gerando custos significativos aos cofres públicos.
Porém, nos últimos dias, segundo a denúncia do vereador, os resíduos voltaram a ser descartados inadequadamente no próprio município. O problema se agravou após uma pane no caminhão coletor há mais de 15 dias, sem que houvesse providências para substituição do veículo.
Detalhes da denúncia
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o vereador Eloi documenta a situação no local de descarte irregular. “Todo lixo recolhido em Funilândia é jogado aqui, na sede”, afirma o parlamentar, que questiona a ausência dos órgãos ambientais competentes para fiscalizar a irregularidade.
Assista o vídeo completo no instagram
O vereador relata que a ordem para o descarte no local teria partido da própria gestão municipal, criticando a falta de iniciativa para alugar um caminhão substituto enquanto o veículo oficial permanece quebrado.
Consequências legais
O descarte irregular de resíduos constitui crime ambiental conforme o artigo 54 da Lei Federal 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais), que estabelece: “Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora”.
Especificamente, o parágrafo 2º, inciso V do mesmo artigo agrava a pena quando o crime ocorrer “por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou regulamentos”, prevendo reclusão de um a cinco anos.
As multas administrativas, conforme o Decreto 6.514/2008, variam de R$ 5.000 a R$ 100.000, podendo chegar a R$ 50 milhões em casos de maior gravidade. Gestores públicos podem ser responsabilizados tanto na esfera administrativa quanto criminal e civil, com sanções que incluem multa, suspensão de direitos e prisão.
Alerta aos funilandenses
A situação serve de alerta para toda a população sobre os riscos do descarte irregular de entulhos e lixo na área. Moradores que depositarem resíduos no local podem ser multados individualmente, com valores que variam conforme a legislação municipal e federal, podendo chegar a R$ 25 mil para pessoas físicas em casos de reincidência.
O descarte inadequado compromete não apenas o meio ambiente, mas também a qualidade de vida de toda a comunidade, gerando mau cheiro, proliferação de doenças e degradação visual do espaço urbano.
Risco à água potável
O problema se agrava quando considerado o impacto sobre os recursos hídricos locais. O descarte irregular de resíduos nesta área prejudica os pontos de coleta de água da cidade, principalmente os poços artesianos que abastecem Funilândia.
Recentemente, foi detectada a presença de coliformes fecais nestes pontos de captação, evidenciando a contaminação do lençol freático. O descarte de lixo orgânico e outros materiais potencializa essa contaminação, colocando em risco a saúde pública dos funilandenses.
Problemas estruturais do saneamento
A questão expõe deficiências mais amplas no saneamento municipal. Funilândia enfrenta a ausência de fiscalização ambiental efetiva e, principalmente, a falta de rede de esgoto e tratamento adequado, fazendo com que a cidade dependa predominantemente de fossas negras.
Esta situação precária contribui para a contaminação do solo e das águas subterrâneas, agravando os problemas identificados nos poços artesianos e demonstrando a necessidade urgente de investimentos em saneamento básico para a população local.
Contexto político
O caso evidencia também a importância da fiscalização parlamentar exercida pelo vereador Eloi Rodrigues Mendes, que tem se destacado no cumprimento de seu papel constitucional de acompanhar e questionar atos do Executivo municipal.
A denúncia já foi formalizada junto ao Ministério Público, que deve investigar as irregularidades e eventual responsabilização dos envolvidos, incluindo possível indiciamento do prefeito por crime ambiental.