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Cerca de 29% das mulheres em Minas Gerais passaram por ao menos uma situação de violência doméstica em 12 meses sem declarar espontaneamente ter sofrido violência, aponta pesquisa do DataSenado com recorte estadual divulgado na terça (25).

O dado expõe a distância entre a violência que as mulheres vivem e a que chega aos registros oficiais e, por consequência, ao alcance das políticas de proteção. Em Minas, 27% das entrevistadas afirmaram ter sofrido violência doméstica ou familiar provocada por homem ao longo da vida e 10% relataram ter passado por isso nos 12 meses anteriores à pesquisa.

Gráfico de barras com o percentual de mulheres que vivenciaram violência nos últimos 12 meses sem declará-la, por unidade da Federação. Minas Gerais e Brasil aparecem com 29%.
Percentual de mulheres que vivenciaram situações de violência nos últimos 12 meses sem declará-las espontaneamente, por unidade da Federação. Gráfico: DataSenado / 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher

Entre as mineiras que declararam violência provocada por homem, 86% relataram violência psicológica, 84% física e 81% moral. Em 58% dos casos, o agressor era o marido ou companheiro no momento da agressão. Do total de vítimas no estado, 12% ainda convivem com quem as agrediu e, dessas, 59% moram com o agressor.

Os efeitos alcançam trabalho e estudo: 49% das vítimas apontaram impacto na vida profissional e 37%, nos estudos. Entre as mulheres que encerraram o relacionamento com o agressor, 82% disseram que a violência teve muita influência na decisão.

O conhecimento sobre os instrumentos de proteção segue limitado. No estado, 65% das mulheres dizem conhecer pouco a Lei Maria da Penha e 11% afirmam não conhecer nada sobre a legislação. Sobre medidas protetivas, 68% relatam conhecer pouco e 16% dizem não ter conhecimento do recurso.

A Delegacia da Mulher é o serviço de proteção mais conhecido pelas mineiras, citado por 87% das entrevistadas, seguido pelo CRAS ou CREAS, com 85%, e pela Defensoria Pública, com 83%. Entre as ouvidas, 73% perceberam aumento da violência doméstica no período e 64% conhecem alguma amiga, familiar ou pessoa próxima que já passou por isso.

“Para quase 25 milhões de brasileiras, a violência aparece apenas quando perguntamos o que aconteceu, mas desaparece quando perguntamos diretamente se elas sofreram violência. […] Se a mulher não reconhece o que vive como violência, torna-se muito mais difícil procurar proteção e acolhimento”, afirma Beatriz Accioly, gerente de Políticas Públicas pelo Fim da Violência contra as Mulheres do Instituto Natura.

No país, das quase 29 milhões de mulheres que sofreram violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores, 24,97 milhões relataram situações concretas sem nomeá-las como violência. Somado a 1,87 milhão que declararam a agressão mas não acionaram a delegacia, o Ligue 180 ou o 190, o grupo chega a 26,84 milhões, ou 93,6% das vítimas.

A 11ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher ouviu 21.641 mulheres de 16 anos ou mais em todo o Brasil, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, com amostra probabilística e nível de confiança de 95%. O recorte por estado está no Mapa Nacional da Violência de Gênero, mantido pelo Observatório da Mulher contra a Violência, pelo Instituto Natura e pela Gênero e Número, em senado.leg.br/mapadaviolencia. Denúncias podem ser feitas na Delegacia da Mulher, pelo Ligue 180 ou pelo 190.

Nota da redação: esta matéria foi produzida a partir de release/aviso de pauta oficial recebido pela redação e publicada de forma automatizada; o conteúdo carece de revisão editorial adicional.

Fonte: DataSenado / Mapa Nacional da Violência de Gênero — assessoria FSB Comunicação para o Instituto Natura

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Redação Luz Metropolitana

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