Cultura é uma palavra que todos já ouviram, mas que poucos param para refletir sobre sua real dimensão. No senso comum, ela pode parecer apenas sinônimo de lazer, festa ou tradição. No entanto, sob o olhar da sociologia, a cultura é marca da identidade de um povo; para a filosofia, é a forma concreta de expressar pensamentos; para a história, é a herança que registra o espírito de cada geração. Todas essas definições são corretas, mas talvez insuficientes diante da grandiosidade que a cultura carrega: ela é energia vital, força que nos renova a cada dia.
De modo mais prático, podemos compreender a cultura como tudo aquilo que nos caracteriza individualmente. Porém, quando essa expressão deixa de ser apenas pessoal e passa a ser reconhecida coletivamente, nasce a necessidade de organização, de investimento, de preservação. É nesse ponto que a cultura se torna política pública – dever do Estado e direito da sociedade. E talvez resida aí sua maior complexidade: não cabe ao poder público criar a cultura, mas sim assegurar condições para que ela floresça por meio dos agentes culturais que a constroem diariamente.
Nossa região é um exemplo vivo dessa riqueza. Está nos sabores da culinária, nos festejos populares, nos reinados e congados, nas tradições das religiões de matriz africana e nos ritos do cristianismo moderno. A cultura se manifesta no artesanato, no canto, no prato servido à mesa. É turismo, é lazer, é relaxamento. Mas também é sustento: muitos artistas, mestres e fazedores de cultura têm nela sua principal fonte de renda. Por isso, não é possível reduzi-la a entretenimento; trata-se de uma realidade econômica, social e simbólica que exige reconhecimento e valorização.
Mais que uma característica que marca a identidade de nossa gente, a cultura é força que nos conecta, que fala de mim, de você, de todos nós. Ela transforma experiências passadas em alicerce para o presente e futuro, lembrando-nos de que não existe cultura menor ou maior: existe a nossa identidade coletiva, diversa e plural, que merece ser celebrada e respeitada.
Com seus muitos jeitos e formas, que não tenhamos receio de afirmar em alto e bom som: a cultura é viva. E, mais que isso, a cultura sou eu, a cultura somos nós.