Vinte Anos de Sistema, Oito Anos de Questionamentos

O Sistema Único de Assistência Social (SUAS) completou duas décadas em 2025, consolidando-se como política pública nacional para organizar serviços, programas e benefícios da assistência social. Em Funilândia, a recente 14ª Conferência Municipal de Assistência Social reacendeu o debate sobre a efetividade local do sistema.

O Que Deveria Funcionar

O SUAS estrutura-se em duas frentes essenciais: a Proteção Social Básica, voltada à prevenção de riscos através dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), e a Proteção Social Especial, que atende situações de maior vulnerabilidade via Centros de Referência Especializado (CREAS).

A teoria é robusta. O sistema prevê cadastramento através do CNEAS, visitações domiciliares, oficinas profissionalizantes, cursos de capacitação e acompanhamento familiar. Os recursos federais chegam. A estrutura legal existe.

A Realidade em Funilândia

Mas onde está a prática? Após oito anos da gestão anterior e nove meses da atual administração, os funilandenses questionam: qual o resultado concreto dos investimentos em assistência social?

Questionamentos Necessários

  • Transparência: Onde está o relatório dos oito anos anteriores da Secretaria de Assistência Social?
  • Recursos: Como foram aplicadas as verbas federais destinadas ao SUAS?
  • Efetivo: Por que programas como o “Criança Feliz” operam aquém da capacidade?
  • Resultados: Quantas famílias foram efetivamente atendidas e reintegradas?

Assistência Social ou Assistencialismo?

A diferença é fundamental. Assistência social trata causas estruturais, promove autonomia e garante direitos constitucionais. Assistencialismo distribui paliativos temporários sem transformação real.

O Papel do Assistente Social

Profissionais da área devem atuar como articuladores entre cidadãos e políticas públicas, promovendo:

  • Acesso a direitos básicos (alimentação, moradia, saúde)
  • Fortalecimento de vínculos familiares e comunitários
  • Orientação para outras políticas públicas
  • Promoção de trabalho e renda
  • Proteção contra violação de direitos

Desafios Estruturais

Recursos Humanos

  • Salários defasados comprometem a qualidade do atendimento
  • Acúmulo de funções sobrecarrega os profissionais
  • Jornadas estendidas reduzem a eficiência dos serviços
  • Falta de efetivo limita o alcance dos programas

Gestão e Transparência

A comunidade funilandense precisa de respostas sobre:

  • Custos operacionais da secretaria
  • Critérios de atendimento utilizados
  • Resultados mensuráveis dos investimentos
  • Metas estabelecidas para 2025

O Caminho Adiante

“Assistência social não se faz com o coração, se faz com razão.” Esta frase resume a necessidade de profissionalização, planejamento e transparência na execução do SUAS em Funilândia.

Propostas para Melhoria

  1. Relatórios públicos trimestrais de atividades e resultados
  2. Valorização profissional com salários dignos
  3. Ampliação do efetivo para atender a demanda real
  4. Metas claras e indicadores de sucesso
  5. Participação comunitária no controle social

Reflexão Final

O SUAS funciona onde há vontade política, gestão competente e controle social ativo. Em Funilândia, os recursos existem, a necessidade é evidente, mas os resultados ainda são insuficientes.

A proteção social não pode ser moeda de troca eleitoral. Os funilandenses merecem uma assistência social que transforme vidas, não que apenas distribua migalhas.

É hora de cobrar mais do que promessas. É hora de exigir resultados.

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Sobre a autora

Carlos Barbosa

Jornalista Diretor Geral do Jornal Luz Metropolitana desde 2016, com trajetória em diversos veículos de comunicação de 2002. "Se abrirão grandes alamedas, por onde passará o homem livre." Salvador Allende

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