Secretária encontra pasta desorganizada e município perdendo 70% dos recursos federais

Flávia Freitas assume desafio de reconstruir setor que estava inadimplente há anos
Quando Flávia Freitas assumiu a Secretaria de Assistência Social de Funilândia em janeiro de 2025, o primeiro impacto foi devastador: três anos sem prestação de contas haviam deixado o município inadimplente junto aos governos federal e estadual, resultando na perda de 70% dos recursos destinados aos programas sociais.
“O grande susto foi descobrir que a secretaria estava há três anos sem fazer prestação de contas. Quando você não faz a prestação de contas, o governo federal e estadual reconhece que você não precisa de recursos”, explica a secretária, que é assistente social de formação.
APAE perde R$ 125 mil por falta de documentação
As consequências da desorganização administrativa foram imediatas e dolorosas para as instituições funilandenses. A APAE perdeu R$ 125 mil em recursos para compra de materiais permanentes porque a gestão anterior não finalizou a documentação necessária. O Conselho Tutelar também foi prejudicado por problemas similares.
“Não tem como você fazer atividades para a população quando está inadimplente. A primeira coisa que fizemos foi reorganizar toda a parte burocrática”, conta Flávia Freitas.
Conselhos inativos e CRAS sem programação
O diagnóstico revelou uma assistência social completamente paralisada. Os conselhos municipais – da Criança e da Assistência Social – estavam praticamente inativos, sem reuniões regulares. O CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) funcionava sem atividades para a população.
“Chegamos aqui e o CRAS não tinha atividades. Conseguimos voltar com oficinas na sede e reativar as reuniões de rede, que são fundamentais para o município”, destaca a gestora.
Programa Criança Feliz quase perdido
Um dos casos mais graves envolvia o Programa Criança Feliz, que estava com recursos parados e correndo risco de ter a verba devolvida ao governo federal. O programa, que atende gestantes e crianças de 0 a 3 anos, havia perdido sua coordenadora Dirléia, que faleceu, e precisou ser completamente reestruturado.
“Estávamos correndo risco de ter que devolver essa verba para o governo porque não colocamos o serviço em funcionamento. É um programa extremamente fundamental, que trabalha em conjunto até com a saúde”, explica Flávia.
Gestão aberta substitui modelo fechado
A secretária enfatiza que encontrou um cenário de isolamento administrativo. “Em oito anos praticamente não houve conferência da Assistência Social. Queremos uma gestão aberta, que é o oposto do que encontramos. Quero que todas as crianças estejam no CRAS.”
Novos projetos em andamento
Apesar dos desafios, a nova gestão já coloca projetos em funcionamento:
- Grupo de idosos reativado
- Projeto de equitação com Heloísa para pessoas com transtornos
- Oficinas no CRAS funcionando regularmente
- Reuniões de rede restabelecidas
- Programa Criança Feliz em operação
Planos para o futuro
Flávia Freitas projeta expansão das atividades: “Queremos dar apoio à banda de música, ampliar projetos para terceira idade, pensar em ações para mães atípicas devido ao grande número de crianças e adolescentes autistas, e desenvolver mais atividades voltadas para os jovens.”

Trabalho em equipe essencial
A secretária destaca o papel fundamental da equipe atual: “Sou muito grata à Silvana do CRAS, Camila, Dani, Cristiane, as meninas da Criança Feliz, Nanda, Lidiane do Bolsa Família, Gisele do CRAS, Cíntia. Sem eles não teríamos conseguido colocar a casa em ordem.”
Sistema do Bolsa Família também precisou ser atualizado
Outro desafio enfrentado foi a atualização do sistema do Bolsa Família, que passou por mudanças na plataforma. “Gastamos praticamente o primeiro semestre trabalhando a parte burocrática, tentando colocar a casa em ordem”, relata a secretária.
Prestação de contas é obrigatória e constitucional
Flávia explica que a prestação de contas não é opcional: “É obrigatória e constitucional. Você manda para o sistema da SEDESE (Secretaria de Desenvolvimento Social), que analisa e remete para o Ministério Público. Cada programa tem seu recurso específico, e uma vez que você não presta contas, para de receber.”
Recomeço do zero com segurança
Após seis meses de trabalho intenso de reorganização, a secretária faz um balanço positivo: “Começamos do zero. Hoje posso falar com segurança que a Assistência Social está emancipada. Estamos lidando com vidas vulneráveis – é algo muito sério, não dá para brincar, não dá para deixar para depois.”
Fortalecimento da rede de proteção
Um dos focos principais da nova gestão é o fortalecimento da rede de proteção social. “O Conselho Tutelar, mesmo sendo autônomo, está vinculado à secretaria. Precisamos trabalhar muito em rede – a rede precisa ser fortalecida”, enfatiza Flávia Freitas.
A secretária conclui destacando que, embora ainda haja muito trabalho pela frente, os primeiros seis meses foram fundamentais para estabelecer as bases de uma assistência social que realmente funcione para os funilandenses mais vulneráveis.
