Democracia ou ditadura digital?
O Novo Espaço Público
As redes sociais são atualmente “o espaço público por excelência”. Na Grécia antiga eram as Ágoras – “reunião de qualquer natureza; espaço livre onde os cidadãos costumavam ir; expressão máxima da esfera pública, da cultura, política e da vida social”.
Hoje, isso é Facebook e WhatsApp! Talvez haja outras tão ou mais relevantes, mas aqui para nós são essas. Onde a gente “se encontra” e tem voz. Às vezes ninguém te ouve, mas está registrado e todos falam à vontade.
A Perda da Voz Cidadã
Do Público ao Privado
Desde o tempo em que as praças ficaram pequenas e as decisões foram transferidas para salões nobres longe dos cidadãos, o povo não tem mais voz. Se é que teve algum dia – afinal, o mundo sempre foi dos espertos (que falam mais).
Na Grécia antiga, a gente sabe, tinha gente muito esperta. Tão esperta que fundou pilares para o que conhecemos hoje como democracia.
Democracia: Uma Ditadura da Maioria
Que nada mais é que uma ditadura, só que da maioria. Por isso existe uma guerra travada diariamente desde os tempos mais remotos: a batalha pela informação e convencimento das massas.
E não se iluda – o alvo é você!
O Paradoxo Digital
Amplificação e Isolamento
Certamente devia haver algum diálogo quando tudo era ao vivo e aberto ao público. Atualmente, o mesmo mecanismo que amplia nossa fala minimiza nossa capacidade de ouvir e dialogar.
Qualquer um fala o que quiser de trás de seu acessório de última tecnologia, na hora que quer e como quer.
O Eterno Presente das Redes
Porém, basta olhar as redes sociais pela manhã e parece que o tempo parou. Sabemos que passou um dia, só que é tudo igual a ontem:
- Mesmas pessoas falando as mesmas coisas
- Defendendo suas causas e certezas
- Atacando as contrárias
- Teorias conspiratórias (muitas até fazem sentido)
- Lideranças carismáticas e salvadores da pátria
Mas quase nenhum diálogo, pouco se debate.
A Dinâmica dos Embates Digitais
Discussões que Não Levam a Lugar Nenhum
Normalmente, discussões terminam empatadas. Chamamos uns aos outros de idiotas e, no final, todos acabam sendo. Com certeza você não é (nem eu), mas tem um monte de gente que vai achar que somos, então acabamos sendo meio idiotas!
Alguns são idiotas completos – a gente acha e a pessoa é mesmo! Enfim…
A Grande Conspiração
O que quero dizer é que talvez seja essa a maior conspiração de todas: que nos mantém ocupados defendendo nossas teses e atacando supostos adversários. E assim nos mantemos divididos.
A Busca pelos Livres Pensadores
Prisioneiros do Passado
Onde estão as pessoas livres de verdade? Todos pensam que são livres, mas falam pela boca dos outros, replicam o passado:
- Mesmas explicações
- Mesmas idolatrias
- Mesmo fanatismo
- Mesma ignorância
- Mesma violência, truculência e barbárie de sempre
A lista é interminável, mas acho que deu para entender!
A Pergunta que Não Queremos Fazer
Quando é que vamos olhar daqui para frente e pensar: “Tá bom, foi assim, mas como será? Como mudar?”
Ao contrário, no entanto, agarra-se ao que foi aprendido, sem se importar se é positivo ou negativo. As pessoas acham que é assim e pronto. Muita fé e pouca reflexão.
O Comportamento Reacionário
A Dinâmica da Maré
Reacionários, muitas vezes. Se a maré está boa, ficam quietos (não são todos, claro!), mas se a maré está baixa, viram o bicho (como se já não fossem).
E se atracam no primeiro porto que lhes parece seguro, de onde atiram para todo lado. Daí surgem os mitos e heróis reacionários. Outros vêm defender seus mitos e heróis do passado e está formada mais uma frente de batalha pelo convencimento.
A Guerra das Migalhas
Ao final, ganha quem dá mais migalhas ao cidadão. Uma guerra legítima – inclusive é disso que se trata: do direito sagrado de convencer as massas, em que a informação sai prejudicada.
Não há troca de ideias, não há debate, só embates.
A Necessidade de Algo Mais
Além das Bandeiras
Não basta reclamar e levantar bandeiras, é preciso algo mais. E me pergunto: onde estão os livres pensadores? Quantos seriam eles e quem os representa?
Um Jogo Antigo
A guerra pelo convencimento não é novidade. Bem antes das cavernas, já seguimos e somos seguidos uns pelos outros. Todos os lados jogam o mesmo jogo, da esquerda à direita.
Fica difícil defender quem quer que seja. O sujeito limpo hoje, amanhã está sujo até o pescoço.
As Reformas no Meio do Caos
Escurecendo em Vez de Esclarecer
As reformas que surgem em meio a esse tumulto, em vez de esclarecer, deixam até mais obscuro. Em pouco tempo, já se formam dois lados: um que é a favor e outro contrário. Sem o esclarecimento necessário.
A Necessidade do Realismo
Sejamos realistas: nada é tão certo que não possa ser melhorado e nem tão ruim que não possa ficar pior.
Precisamos admitir que não sabemos nada direito – como funciona isso e aquilo é o que precisa ser explicado.
O que é justo não deve ter lado!
A Contradição Final
Informação Perdida na Guerra
Na guerra pela opinião, quem perde é a informação – coisa mais contraditória.
Vejo todo mundo em pânico, perdido no espaço-tempo, sem livre pensamento, enquanto as decisões são tomadas na calada!
Reflexão Final
Transformamos nossas Ágoras digitais em campos de batalha onde o diálogo morreu. Entre algoritmos que nos isolam em bolhas e paixões que nos cegam para o debate racional, perdemos a essência da democracia: a capacidade de construir consensos através do diálogo.
Talvez seja hora de recuperar a arte de ouvir antes de falar, de questionar antes de defender, de pensar antes de replicar.
Nota Editorial: Este artigo representa a visão editorial de nossos colaboradores e busca fomentar o debate respeitoso sobre temas de relevância para nossa comunidade.