O jornalista Maurício Campos Rosa, de 64 anos, proprietário do jornal “O Grito” e colaborador na formação editorial da Luz Metropolitana, foi assassinado em 17 de agosto de 2016 por investigar corrupção municipal em Santa Luzia. Sete anos depois, todos os acusados foram absolvidos pelo júri, deixando o crime impune.

O CRIME

Execução Planejada

Maurício foi atingido por cinco tiros – um no pescoço e quatro nas costas – quando saía da casa de Alessandro de Oliveira Souza no bairro Frimisa, em Santa Luzia. O crime foi executado por três homens em um Parati 1993 que aguardavam a vítima.

Quarto Jornalista Morto em 2016

Maurício foi o quarto jornalista assassinado no Brasil em 2016. Seu jornal “O Grito” era distribuído gratuitamente em Santa Luzia há mais de 20 anos.

A INVESTIGAÇÃO QUE CUSTOU SUA VIDA

Corrupção Municipal

Maurício investigava corrupção envolvendo vereadores e uma cooperativa de coleta de lixo. Carlos Dias Barbosa, diretor de redação do jornal, confirmou que Rosa temia retaliações pelas denúncias.

O ESQUEMA CRIMINOSO

Mandante Identificada

A ex-prefeita Roseli Ferreira Pimentel foi indiciada como mandante do assassinato, acusada de pagar R$ 20 mil pela morte do jornalista. O dinheiro saiu dos cofres públicos da Secretaria de Saúde.

Desvio de Verba Pública

O recurso foi camuflado com nota da Secretaria de Educação para compra de “mamão da merenda escolar”, mas compensado pela Saúde através do aluguel de um posto.

Rede de Cumplices

Os acusados incluíam:

  • Alessandro de Oliveira Souza (intermediário)
  • Paulo César Florindo de Almeida (executor)
  • David Santos Lima e Gustavo Sérgio Soares Silva (auxiliares)

JULGAMENTO E ABSOLVIÇÃO

Júri Popular

Em maio de 2023, o júri absolveu todos os oito acusados da acusação de homicídio. Apenas Roseli Pimentel e Alessandro foram condenados por desvio de verba pública.

Penas Simbólicas

Roseli foi condenada a 2 anos e 9 meses em regime aberto e Alessandro a 2 anos e 6 meses, mas as penas foram substituídas por pagamento de cinco salários mínimos e prestação de serviço à comunidade.

IMPUNIDADE QUE PREOCUPA

Crime Sem Punição

A absolvição deixa o assassinato de Maurício impune, representando grave retrocesso na proteção aos jornalistas que investigam corrupção no poder público.

Ameaça à Liberdade de Imprensa

O Sindicato dos Jornalistas de MG alertou: “Cada morte de jornalista não apurada é um estímulo para novos crimes. A impunidade é inaceitável”.

LEGADO INTERROMPIDO

Jornalismo Investigativo

Maurício representava o jornalismo local comprometido com a fiscalização do poder público, sendo silenciado justamente por cumprir seu papel social.

Contribuição Editorial

Sua experiência em jornalismo investigativo e conhecimento sobre corrupção municipal contribuíram para a formação editorial da Luz Metropolitana, transmitindo valores de independência e compromisso com a verdade.

Site Tirado do Ar

Após o assassinato, o site do jornal “O Grito” saiu do ar e a página no Facebook deixou de ser atualizada, simbolizando o silenciamento definitivo de sua voz.

HOMENAGEM À MEMÓRIA

A Luz Metropolitana honra a memória de Maurício Campos Rosa, reconhecendo seu sacrifício em defesa do jornalismo investigativo e da transparência pública. Sua morte representa ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação.

Maurício morreu fazendo jornalismo. Que sua memória inspire a continuidade da luta contra a corrupção e pela transparência no poder público.

Revisado em Dezembro/2023

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Sobre a autora

Carlos Barbosa

Jornalista Diretor Geral do Jornal Luz Metropolitana desde 2016, com trajetória em diversos veículos de comunicação de 2002. "Se abrirão grandes alamedas, por onde passará o homem livre." Salvador Allende

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