Estou me fazendo aos poucos,
em pedaços que descubro
sem ainda saber que são meus.
Talvez crescer seja isso –
um passo incerto,
um tropeço bonito,
um recomeço com mais pele do que medo.
Carrego amores e dores
como quem vive de verdade.
Às vezes sou pura luz,
outras, sombra que procura saída
num beco de mim mesma.
Tem hora que sei o caminho,
tem hora que me perco no meio.
Sou sensível demais,
e nisso há beleza e desvio.
Me distraio fácil com o mundo,
acredito nas pessoas,
me dou por inteiro.
Alguns chamam de ingenuidade,
eu chamo de coragem.
Aprendi que sentir não é fraqueza,
é sinal de quem está desperto,
aberto à vida como flor na chuva.
Ser sensível é ser ponte,
mesmo quando tudo ao redor
pede muralhas.
Sou processo.
Sou agora.
Sou tudo o que ainda não entendo,
mas já me pertence.
Maíra Barbosa, poeta – Psicóloga