O Procon Municipal de Sete Lagoas intensificou a fiscalização em postos de combustíveis da cidade em razão das incertezas no cenário internacional, especialmente ligadas à guerra no Oriente Médio e possíveis impactos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo. Até o momento, 39 estabelecimentos já foram vistoriados.

A ação tem como objetivo verificar se os reajustes praticados pelos postos possuem justificativa baseada em custos efetivos. Segundo a gerente do Procon, Clara Rocha Siqueira, a fiscalização não busca tabelar preços, mas garantir o cumprimento da legislação de defesa do consumidor.

“O objetivo não é tabelar preços, mas garantir que o consumidor não seja prejudicado por práticas abusivas”, afirma Clara. A atuação está amparada no artigo 39, inciso X, do Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), que proíbe a elevação de preços sem justa causa.

Como funciona a fiscalização

As equipes realizam visitas presenciais aos postos e solicitam documentos que comprovem a formação dos preços, como notas fiscais de aquisição. O trabalho técnico analisa a relação entre custo, margem de lucro e preço final, seguindo orientações da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon).

A requisição de documentos está prevista no artigo 55, §4º, do CDC, que autoriza os órgãos de defesa do consumidor a solicitar informações dos fornecedores.

O que é considerado prática abusiva

De acordo com o Procon, configura abuso a elevação de preços sem correspondência com custos efetivos e comprováveis. Também se enquadram como práticas abusivas a exigência de vantagem manifestamente excessiva (art. 39, inciso V, do CDC) e o aumento arbitrário de lucros, que pode configurar infração à ordem econômica nos termos da Lei nº 12.529/2011.

Médias de mercado, comportamento de concorrentes ou aumentos preventivos não são considerados justificativas válidas para reajustes.

Penalidades

Caso sejam identificadas irregularidades, o fornecedor pode responder a processo administrativo com aplicação das sanções previstas no artigo 56 do CDC, que incluem multa e suspensão de atividade. Medidas cautelares também podem ser adotadas antes da conclusão do processo para cessar imediatamente a prática abusiva.

Como denunciar

O consumidor pode registrar denúncia junto ao Procon Municipal, localizado na Rua Zoroastro Passos, 30, no Centro de Sete Lagoas. Orientações e denúncias também podem ser feitas pelo telefone 151.

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Sobre a autora

Carlos Barbosa

Jornalista Diretor Geral do Jornal Luz Metropolitana desde 2016, com trajetória em diversos veículos de comunicação de 2002. "Se abrirão grandes alamedas, por onde passará o homem livre." Salvador Allende

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